Sábado, Novembro 25, 2006

Quanto mais as coisas mudam mais elas permanecem iguais


"Quanto mais as coisas mudam mais elas permanecem iguais". Eu não tenho certeza quem foi a primeira pessoa a dizer isso. Provavelmente Shakespeare, ou talvez Sting. Mas nesse momento essa é a frase que melhor explica meu defeito trágico: minha inabilidade para mudar. Eu não acho que esteja sozinho nisso. Quanto mais eu conheço outras pessoas mais acabo percebendo que essa é meio que a falha de todos. Manter-se exatamente o mesmo pelo maior tempo possível, parado. De alguma forma a sensação é melhor. E se você estiver sofrendo, ao menos a dor é familiar. Porque se você acreditar, se expor, fizer algo inesperado... quem sabe qual outra dor pode estar te esperando lá fora? Pode ser que ela seja ainda pior. Então você mantém o status quo, escolhe a estrada já trilhada e isso não parece tão mal, pelo menos enquanto falamos de falhas. Você não é um drogado, nem está matando ninguém... Exceto talvez você mesmo um pouquinho.
Quando finalmente mudamos, eu não acho que isso aconteça como um terremoto ou uma explosão, onde de repente nós somos uma pessoa totalmente diferente. Eu acho que é menor do que isso. O tipo de coisa que a maioria das pessoas a sua volta não notariam a não ser que te olhassem bem de perto, mas bem de perto mesmo, o que, graças a Deus, elas nunca fazem. Mas você percebe. Dentro de você, essa mudança é enorme e você torce para que tenha acabado, que essa seja a pessoa que você será para sempre, para que nunca tenha que mudar de novo."

Ephram Brown


'The more things change, the more they stay the same.' I'm not sure who the first person was who said that. Probably Shakespeare, or maybe Sting. But at the moment, it's the sentence that best explains my tragic flaw: my inability to change. I don't think I'm alone in this. The more I get to know other people, the more I realize it's kind of everyone's flaw. Staying exactly the same for as long as possible, standing perfectly still. It feels better somehow. And if you are suffering, at least the pain is familiar. Because if you took that leap of faith, went outside the box, did something unexpected...who knows what other pain might be waiting out there? Chances are it could be even worse. So you maintain the status quo, choose the road already traveled, and it doesn't seem that bad, not as far as flaws go. You're not a drug addict, you're not killing anyone... Except maybe yourself a little.
When we finally do change, I don't think it happens like an earthquake or an explosion, where all of a sudden we're like this different person. I think it's smaller than that. The kind of thing most people wouldn't even notice unless they looked really, really close. Which, thank God, they never do. But you notice it. Inside you, that change feels like a world of difference, and you hope that it is...that this is the person you get to be forever. That you'll never have to change again"

Ephram Brown

Segunda-feira, Novembro 20, 2006

Reencontrando quem você realmente é

Em algum momento parece que nos perdemos na jornada. Quem nunca sentiu-se assim? Não perdido em relação a ruas e avenidas da cidade grande, mas sim em relação a si mesmo, nas encruzilhadas de sua alma.
Infelizmente para reencontrar esse caminho não existe GPS que possa ajudar. Apenas funcionam como ferramentas a percepção e conhecimento de si mesmo.
Se você olha fotos suas do passado e sente saudades daqueles momentos isso quer dizer que estes são lembrados com carinho e que ao recordá-los sensações boas materializam-se. Isso é absolutamente normal. Por outro lado, o problema reside em crer, e principalmente sentir, que estes momentos não podem ser recriados hoje ou no futuro.
Com o tempo o seu círculo de amizades pode mudar, sua família também. Você pode mudar de profissão, de endereço ou de carro, mas no meio de todos esses acontecimentos você deveria manter-se alerta para não deixar mudar quem você realmente é, porque muitas vezes essa mudança acontece sem você perceber, por simples falta de atenção.
No meio de todas essas mudanças ou no anseio de procurar um futuro melhor acabamos deixando sonhos para trás, junto com os ideais que faziam nossos olhos brilhar. Está certo que quando somos jovens muito desses ideais não passam de ilusão, mas será que não era essa ilusão que fazia do mundo um lugar mais agradável?
Se em algum momento no calor do cotidiano e na obsessão pelas atividades rotineiras, na ansia atingir objetivos imediatos, deixamos esse nosso "verdadeiro eu" sentado em um banco na beira da estrada vamos precisar voltar até lá e resgatá-lo uma hora ou outra. Nossa alma pedirá isso!
No mesmo minuto em que paramos e desintonizamos da rotina percebemos que algo está faltando, e que esse "algo faltando" não nos deixa mais leves e sim mais pesados. E é aí, quando nos damos conta disso, que reencontramos quem realmente somos. Vamos atrás de onde o deixamos e chegamos lá, naquele banco na beira da estrada, o mais rapido possivel, apenas por puro instinto.

Domingo, Novembro 12, 2006

Você é o que você come


Você já deve ter escutado essa frase anteriormente. Se não foi da sua mulher, namorada ou mãe deve ter sido na televisão, rádio, outdoor, revista semanal ou ponto de ônibus. Tá na moda falar isso.
Certamente, se quem tivesse proferido essa frase pela primeira vez a tivesse patenteado hoje estaria rico: Você é o Que Você Come! (TM) seria mais famosa que os adesivos Shit Happens!
Mas agora já é tarde. Uma vez que a expressão já caiu há anos em domínio público teremos que procurar outro jeito para ficarmos ricos de maneira folclórica.
Tudo bem comer uma porcariazinha de vez em quando, uma gordurinha hidrogenada em dose pequena não vai te matar. Basta ter juízo e conhecer a si mesmo. Lembre-se que a diferença entre o remédio e o veneno está na dose.
Contudo, comer uma porcariazinha de vez em sempre, fazendo com que ela seja a base da sua alimentação é algo que você deve fazer por sua conta e risco. A saúde é uma das poucas coisas que você ainda tem como patrimônio próprio e sem alienações. Você é o único procurador dela.
Escolha com sabedoria o seu destino. Comece sendo mais consciente na sua próxima compra no supermercado.

Isso sim é pontaria

Se essa garota, Lilian Stepanova, usasse seus poderes para o mal o mundo estaria perdido.
Ainda bem que ela tem uma boa índole e decidiu por utilizar suas habilidades especiais para o bem (ou pelo menos para o entretenimento) da humanidade.

Dúvidas e comentários que surgem ao vê-la:

  • Será que ela fecha um dos olhos para dar o tiro com o olho dominante?
  • Conseguiria acertar uma maçã na cabeça de um menino?
  • Ela é de borracha?
  • É miope? Usaria lentes de contato?
  • Tem frieira entre os dedos do pé?
  • Viram aquele cara do Baywatch de jurado (David Hasselhoff) ? Que fim de carreira lamentavel! Antes tivesse terminado como a Pamela Anderson



E pensar que ainda tem gente que quando vai ao banheiro consegue errar a bacia! Como já dizem os sábios: tudo na vida é questão de treino.

Não dá para acertar todas...






Que tal uma água de coco?

"Não quero ser um produto do meio, mas sim que o meio seja um produto de mim"

Domingo, Novembro 05, 2006

Reflexões sobre o orçamento de Dinorá e Celso

Um casal de conhecidos estava na cozinha de sua casa, ontem, discutindo sobre o seu já apertado orçamento. O que motivou a conversa foi a fatídica conta do cartão de crédito recebida na sexta-feira, a maior de toda a história, um recorde realmente memorável.

Com orçamento estourado o alarme toca e o amor abala com a situação tensa.

Enquanto comiam um pão com mortadela e assistiam ao programa do Marcio Garcia na Record (quadro Namoro na TV - que diga-se de passagem parece um circo de horrores – onde eles arranjam gente tão feia para aparecer na televisão?) decidiram cortar gastos em tudo aquilo elencado como "supérfulo". O acordo foi feito, a lista escrita na hora em uma folha de caderno, e eles iam começar, determinados como nunca, a partir de segunda-feira à zero hora.

Dinorá não gostou muito da idéia. Afinal de contas, 75% da recém criada lista fazia referências a coisas só dela, gastos pequenos do dia-a-dia, mas que quando somados tornavam-se assustadores. Contudo, entendendo a gravidade da situação e vendo sua viagem de carnaval do ano que vem ameaçada, ela concordou prontamente com o sacrifício.

Ao cair da tarde, Dinorá dirigiu-se à churrascaria perto de sua casa para comprar um galeto ou qualquer coisa que pudesse ser chamado de jantar naquele fim de dia estressante. No caminho ela deparou-se com uma senhora aparentando mais ou menos 55 anos que estava sentada na calçada, pedindo esmola a todos que passavam.

Acometida por um espírito de caridade inédito, talvez reflexo da lista de prioridades feita por seu marido, Dinorá quis lhe ajudar.

- Vou dar um dinheiro para senhora ir até o shopping e comprar uma roupa muito bonita, daquelas que brilham na vitrine mais cara do 3º andar ! – disse a moça, toda bem intencionada.
- Obrigado, minha filha, mas só quero um dinheiro para comer. – respondeu a senhora com uma voz rouca e pausada - A minha roupa está muito rasgada e mal tratada, mas estamos no verão, não sinto frio. Ano que vem eu acabo ganhando alguma outra lá no abrigo. Agora to precisando mesmo é comer.

- Então vou fazer melhor: Pegue esse dinheiro e vá até o salão de beleza do Pierre Coifure e faça unha e cabelo, vai melhora sua auto-estima. Diga que a Dinorá te mandou lá. Ele sabe quem sou eu.
- Não, minha filha- explicou a senhora - Já faz mais de 10 anos que não vou ao cabeleireiro. Olha o estado do meu cabelo, parece uma esponja de aço. Isso não é importante agora. Quero só comer mesmo, me dá um dinheirinho...

- Então já sei como vamos fazer: Tive uma idéia. – E era possível ver a lâmpada que se acendia em cima da cabeça de Dinorá- Eu estou indo até a churrascaria ali na frente, está vendo? Quando eu voltar estarei com comida para o jantar. A senhora me espere aqui bem em frente esse telefone público porque vou levá-la para jantar na minha casa, comigo e com meu marido.

A senhora ficou tão espantada que seus olhos quase saltaram para fora das órbitas:
- Nossa, obrigada mesmo! Que coração de ouro você tem! Mas me desculpa, eu não acho uma boa idéia. Estou com essa roupa com velha, suja, cheia de furos...Minhas mãos estão imundas, cheia de manchas, minha aparência está horrível, sem falar no meu cheiro. Olha o meu cabelo, dá pra sentir de longe... Não quero atrapalhar o seu jantar com seu marido.

- Não tem problema. Vai ser bom para aquele imbecil e mão-de-vaca do Celso ver o quanto o salão de beleza semanal e roupas novas são importantes para uma mulher.

Sábado, Novembro 04, 2006

La Marche de L'Empereur - Mas qual deles?
Assisti a Marcha do Imperador (La Marche de L’Empereur – 2004 França). Aos desavisados, não se trata da caminhada de Napoleão Bonaparte rumo a ilha de Elba e muito menos do percurso do Adriano da Internazionale de Milão de volta ao Rio de Janeiro para dar um rolê na garupa de uma 125... Estou falando da marcha dos pingüins do tipo Imperador na odisseia em direção ao seu local de reprodução.

A primeira vista pode parecer uma história um pouco chata, e deveras, não é dos filmes mais bacanas que já assisti, mas admito que o filme impressiona positivamente.

Vale a pena assistir em um dia de calor. A Marcha dos Pingüins nos faz conhecer esse animal tão pouco divulgado aqui pelos trópicos. Sem duvida o Imperador é uma espécie com a qual o ser humano cria rapidamente uma forte empatia, ainda mais quando ele nos é apresentado da forma amigável presente no filme.

Por isso, não me surpreenderia se em breve eles se tornassem os próximos animais de estimação da moda, substituindo as IGUANAS, HAMSTER, LHASA APSOS e outros que vemos constantemente desfilando por aí. Sem duvida o Pingüim Imperador seria um animal de estimação mais COOL que todos esses.
Para quem se interessar, segue abaixo o trailer. É só procurar nas locadoras:

Quinta-feira, Novembro 02, 2006

Pé Frio causa Frio no Pé? (e um ponto de vista polemico sobre o guarda-chuva stand-by)

Pode parecer uma afirmação um pouco fútil, perante tantas pessoas que passam frio por ai, mas não hesito em afirmar que uma das coisas mais desconfortáveis num dia que conjuga baixas temperaturas e chuva fraca e constante é a sensação de frio no pé.

Pior ou tão semelhante a sensação de dormir com nariz entupido (tema igualmente interessante que merece um texto próprio no futuro) o pé gelado é uma coisa que incomoda o cidadão moderno e habitante das grandes metrópoles. Normalmente, se você é uma pessoa que sai de casa pela manhã com o propósito de trabalhar, estudar, ir à academia, levar o cachorro para se ocupar em frente à garagem do vizinho então você faz uso periódico daquelas peças que denominamos “meias”, cujo propósito basicamente mescla a higiene e acalentamento dos pés (apesar de terem sido transformadas recentemente em peças fashion de vestuário), constituindo um dispositivo simples, bem bolado e eficaz para o bom funcionamento e conforto das extremidades inferiores.

Contudo, se você está distraído e saltitante aproveitando um fim de semana normal, e a qualquer momento a temperatura resolver despencar 11 graus em poucas horas muito provavelmente você será pego de surpresa, sem dispor de pares de meias na bolsa, no porta-luvas do carro ou em qualquer lugar que você utiliza para guardar peças que você acha úteis, mas que só utiliza poucas vezes por ano, como é o caso típico dos guarda-chuvas stand-by
[1]: Muitos mantêm um destes sempre a postos e regozijam-se quando chove e podem ter um sempre a mão. Um pensamento comum do espertinho nesse momento é: “Putz, sou o cara, sou prevenido, tenho um guarda-chuva nesse momento em que muitas pessoas estão indagando o que fazer !”.

Sei que o assunto desse texto não é sobre guarda-chuvas, mas só gostaria de aproveitar que o tema veio à tona para expor o meu pensamento de que, não faz sentido ter guarda-chuvas de stand-by, uma vez que após se fazer uso da peça você vai provavelmente perdê-la ou esquecê-la em algum lugar (os lugares mais comuns para isso são: atrás de uma porta, dentro de um cesto de lixo improvisado como porta-guarda-chuvas-molhado, embaixo de uma mesa, atrás de uma geladeira, entre outros). Sendo assim, na minha opinião, é mais prático andar sem o guarda-chuva e se por acaso começar a chover você pode comprar um guarda-chuva chinês na rua, por menos de R$ 5,00 e torcer (e esforçar-se) para não perdê-lo depois. Porém, caso quebre-se ou perca-o ele terá o mesmo fim do seu guarda-chuva stand-by, sem a desvantagem de que no ultimo você manteve o capital (R$ 5,00) imobilizado na forma de guarda-chuva por mais de 1 ano, enquanto poderia dar outro fim mais útil para o mesmo dinheiro, como por exemplo tomar um refrescante sorvete de tamarindo ou um chope gelado em um dia de verão.

Bom, voltando ao frio no pé... O que fazer quando esse incômodo acontece, inesperado e irritante? Em algumas pessoas o frio torna-se tão intenso que a capacidade de elaborar pensamentos complexos torna-se comprometida e não raramente desaparece, dados os sinais e pedidos de providencias que o corpo faz ao cidadão para este fazer alguma coisa a respeito, qualquer coisa, antes que os dedos congelem e caiam singelamente como duas pedras de gelo que se soltam daquelas “forminhas” do freezer. Acho que a explicação fisiológica para isso é que os pés estão demais localizados na periferia do corpo, principalmente no que tange a circulação sanguínea, a qual serve entre outras coisas para manter o corpo quente. Por estar longe do centro, apesar de serem muito importantes para o corpo, os pés sofrem com a falta de recursos de calefação, não presentes de forma tão abundante como no centro (assim como acontece com a periferia das grandes metrópoles)

Por isso, caro leitor, ao ser pego de surpresa por esse mal inerente as pessoas modernas, principalmente em tempos de mudanças tão bruscas de temperaturas na Terra, tenha de antemão um plano em sua cabeça sobre como proceder nessas horas. É provável que no momento de necessidade seu cérebro não consiga formular um plano elaborado para te ajudar, justamente porque ele está ocupado demais te emitindo sinais de frio extremo. Tenha consigo que as pessoas preparadas para o inesperado sempre fizeram a diferença nos momentos mais difíceis que a humanidade já passou.

Como primeira alternativa tente esfregar seus pés descobertos e nus (se estiverem deveras nus) um nos outros: o atrito é uma das formas mais primitivas, e eficientes, para geração de calor. Se tal tentativa não surtir o efeito necessário e a temperatura continuar abaixo daquilo que você considera salubre, tente puxar a barra da calça até cobrir os pés (se a calça for daquelas grandes e largas). Se não conseguir ou se não funcionar corretamente, procure sentar na posição em que as pernas ficam cruzadas em forma de “xis”, mais conhecida pelas crianças na escola como “borboletinha” e coloque os pés embaixo das coxas, fazendo com que o calor das pernas seja transferido para os pés.

Note que uma combinação entre a ultima e a penúltima solução também é interessante e muito bem vinda, podendo potencializar o efeito das duas, de forma a atingir temperaturas muito agradáveis em menos tempo. Lembre-se de que a tendência dos corpos nos ambientes é atingir o equilíbrio térmico. Acredite nisso e deixe a termodinâmica fazer sua parte.

Posso afirmar que comecei escrevendo essa crônica com uma baita frio no pé e que consegui atingir uma temperatura agradável para eles após poucos minutos. Frio no Pé não é o fim do mundo, há males muito piores que esse e que demandam soluções mais difíceis e elaboradas, como o seu homônimo Pé Frio. Comparado com esse ultimo, Frio no Pé passa a ser um privilegio. Será que quem tem Pé Frio sofre de Frio no Pé mais constantemente do que quem é pé quente? Infelizmente ainda não estatísticas nem estudos que possam dar base a afirmações sobre essa hipótese. Enquanto isso o melhor a fazer é precaver-se dos dois.

[1] Standy-by pode ser traduzido literalmente do ingles como a expressão “a postos”

Alexandre Lopes
24.09.06